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Chegamos aos cem dias…hora de fazer um balanço

Imagine-se daqui a vinte anos contando para as pessoas que foram geradas neste período, os “coronialls”, como alguns já os batizaram, como foram esses dias em sua vida. Que histórias você está escrevendo para suas memórias? Que histórias você gostaria de poder contar?

Uma visão acurada da realidade, especialmente de uma realidade tão complexa e multifacetada como a que estamos experimentando, contempla episódios de dor e superação, crescimento e reclusão, aprendizagem e medo, vulnerabilidade e coragem, solidariedade e oportunismo, de incerteza e fé, ignorância e sabedoria, tudo isso junto e misturado e, às vezes, no mesmo protagonista. A forma como experimentamos um fenômeno de tal complexidade nos leva por uma montanha russa de emoções. Mas ao fim e ao cabo, o que eu estou fazendo com tudo isso para transformar a minha realidade e a de outros numa realidade melhor, essas sim são as histórias que vou querer contar, são os feitos que deixarão meu coração mais leve.

Nesse último mês duas histórias chamaram a atenção de muitos de nós por razões diametralmente opostas. Uma digna de reconhecimento e admiração foi a carta do CEO do Airbnb Brian Cheski comunicando que 25% das pessoas teriam que deixa-los. Batizei esta carta de carta magna devido a excelência da expressão de liderança que traduz.

Infelizmente, por outro lado, soubemos que a Uninove fez uma demissão em massa e muitos professores ficaram sabendo do seu desligamento ao tentar entrar na plataforma para dar sua aula e se deparar com seu acesso negado e uma mensagem - “não precisamos mais dos seus serviços”. Uma professora não demitida relatou a uma conhecida minha que estava “devastada” pela falta de sensibilidade e respeito sem igual com que seus colegas foram tratados.

Na mitologia egípcia há uma belíssima passagem chamada “o peso do coração do morto”. Sinteticamente, ao morrer todos passavam por um julgamento de duas etapas. Na primeira, o morto teria que provar que não desobedeceu nenhuma das 42 regras divinas que preservavam o ideal daquela sociedade, uma espécie de ficha limpa da época. Na segunda etapa, presidida pela deusa Maat, deusa da verdade, da justiça e da ordem divina, a deusa retirava de seu capacete uma pena e colocava de um lado de uma balança, e do outro, era colocado o coração do morto.

Caso o coração do morto pesasse mais que a pena de Maat, ele era condenado a não mais existir e seu coração era dado ao devorador de almas Ammit. Caso o coração do morto fosse igual ao peso da pena, isso demonstrava que o morto tinha um coração leve, pleno de virtudes, e ganhava o direito a vida eterna.

Por que os cem dias me remeteu ao mito? Quantos de nós sairão dessa pandemia com o coração leve? Quantos líderes sairão não apenas com a sensação de não ter descumprido as regras, mas com a certeza de ter agido de forma virtuosa?

Cada pessoa deste planeta terá uma história para contar, mas apenas algumas poucas vão contar histórias que muitos vão querer escutar. E seu coração? está leve com as escolhas que vem fazendo?

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